quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Obrigado Nova Moka, e ate para o ano
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
II Curso em Ornitologia e Conservacao de Aves, Sao Tome


Para treinar tecnicas de censo de aves, os alunos tiveram que descobrir uma serie de especies novas para a Ciencia ao longo de uma das Avenidas da capital!
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Cenouras em fogo - Vivências do Mé Zóchi rural (a caminho da capital)
O táxi, um carro ligeiro, vinha completamente a abarrotar: motorista mais duas pessoas nos bancos da frente, quatro pessoas (eu mais 3 senhoras avantajadas) nos bancos de trás e o oitavo passageiro (que por acaso nem era extraterrestre nem nada) no portabagagens com a carga. Há ainda que referir que, mesmo para a média do estado de conservação do parque automóvel santomense, este táxi estava podre. E não digo isto apenas por raiva de a minha viatura não funcionar: a ferrugem já tinha consumido partes consideráveis da chaparia, a andar o carro fazia um barulho ensurdecedor, os vidros só abriam a alicate e a ignição só funcionava com chave de parafusos!
O tema da conversa não podia ser mais típico da ruralidade do Mé-Zóchi: O preço da cenoura no mercado, que neste dias chega a 60 contos o quilo (um conto são 1000 dobras e um euro vale 24500 dobras – e sim um milhão de dobras não chega a 50 euros, perguntem porquê ao Banco Mundial). A zona da Monte Café, no distrito de Mé-Zóchi, tem uma produção hortícola muito importante para o abastecimento do mercado na capital, em especial de produtos que preferem climas um pouco mais frescos (batata, feijão, cenoura, tomate). A indignação dos passageiros do tal táxi dirigiam-se sobretudo à especulação que é feita pelas palaiês (vendedoras ambulantes de vegetais, mas tambem peixe, frutos, sumos, doces ...). A prática corrente é que as mulheres dos produtores se desloquem bem cedo (uma/ duas da madrugada) para a cidade, onde vendem os produtos a intermediários (como as palaiês) ou para elas próprias venderem os produtos no mercado (Por isso é frequente ter que acordar a pessoa que queremos que nos venda qualquer coisa no mercado).
Ora, ao que parece, as palaiês são comerciantes bastante agressivas, que para além de terem uma grande conversa para convencer os fregueses a adquirir os seus produtos, mentem com uma leviandade desarmante em relação ao verdadeiro preço e qualidade dos produtos que podem oferecer, bem como sobre qualquer acordo prévio que possa ter existido!
E na gravana (altura seca do ano que está agora em vigor) esta especulação, que também não acredito ser só devida às palaiês, tem efeitos devastadores sobre os preços e capacidade de escoamento dos produtos no mercado, exaltando os ânimos de toda a gente (produtores, comerciantes e consumidores). E apesar disso a conversa deixou-me mesmo bem animado, porque até a situação mais revoltante estas pessoas conseguem encarar com bom espírito e muito leve leve. Obrigado pessoal do Mé-Zóchi, vocês são mesmo uma lição de vida!
sábado, 3 de julho de 2010
Tristes tropicos...
segunda-feira, 14 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
A Lei do Chicote – Vivências do Mé Zóchi rural
Para além das Leis criadas pelos Estados continua a haver por esse mundo fora, muitos tipos de leis. E embora a sua aplicação geralmente não abone muito em favor do bem da sociedade como um todo, há que reconhecer o valor que essas leis têem para tornar o nosso planeta mais diverso e, por conseguinte, mais interessante. Ele há a lei do mais forte, a do desenrasca, a da selva, a do salve-se quem puder, as de Murphy, ... Enfim nunca mais acabam.
Aqui em São Tomé muitas destas leis ainda imperam sobre a Lei definida por Decreto. E no Mé Zóchi (o Distrito da ilha em que estou a morar e cujo nome resulta de uma corruptela de Manuel Jorge, um dos rios do Distrito) rural, mais do que todas é a lei do chicote que mantem a ordem, impedindo que se abra uma verdadeira caixa de Pandora sobre estas terras.
Talvez mesmo por serem terras abençoadas pela Natureza, a tentação da vida fácil é por aqui bastante forte! A água abunda, as terras são férteis e possui um clima propício para culturas, sobretudo café arábica (o mais caro) e hortícolas, o que lhe da uma vantagem sobre outras regiões do país em termos agrícolas.
Ora, para evitar que os ladrões se espalhem nestas bandas como uma praga, existem grupos populares que capturam, julgam e executam as penas sobre quem quer que seja apanhado a pôr a mão naquilo que não lhe pertença. Pode parecer um pouco arbitrário à primeira vista, mas não é. Existe um grupo de representantes a que é reconhecida a legitimidade de aplicar as penas e é feita uma investigação dos indícios do crime, um julgamento e só depois é aplicada a pena, consoante a gravidade dos factos comprovados. Aliás estes julgamentos mostram um espírito de união e uma capacidade de defesa da ordem, como é difícil encontrar noutras zonas de São Tomé.
Agora, já as penas essas são terrivelmente cruéis e, talvez reminiscências do tempo do esclavagismo, os ladrões são sujeitos ao chicote. E não é chicote a brincar. As chicotadas que saiem destes julgamentos populares são para não deixar o criminoso sair de lá a andar e, vezes há em que o chicote chega a matar o criminoso. Por isso imaginem a violência! É o que dá ter a vitima a servir de carrasco.
Verdade é que o número de roubos depois destes julgamentos desce a pique. Pois, imagino que sim... E as pessoas que plantam nestes terrenos com o suor de todos os dias podem voltar a dormir descansadas, sem se preocuparem com aquilo que abandonaram nos campos para uma noite de descanço. E a própria polícia, talvez por reconhecer a legitimidade da justiça popular face a ineficiência da Justiça propriamente dita, não intervem no sentido de desmanchar estas perseguições. Aliás, já houve um chicoteado que acabou por morrer na Polícia, e nunca houve investigação para determinar quem foi o assassino!
Para além deste chicote de lei, o chicote faz mesmo parte do dia a dia do Mé Zóchi, como quando uma criança se porta mal e é ameaçada de chicote. Claro que este chicote não é bem o mesmo dos julgamentos, mas existe, e para além de ouvir falar dele, já o vi a ser aplicado e há que admitir que mesmo assim é bastante cruel. Pelo menos na perspectiva de um europeu...
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Samangugu
Ora aqui esta a beleza que ele me trouxe durante esta semana:
A samangugu definitivamente nao esta na minha lista de animais simpaticos, e nem ser endemica lhe vale. A partir de agora vou me lembrar dela sempre que andar descalco ou de chinelas pelo quintal!
quarta-feira, 12 de maio de 2010
O terceiro Kauiri (e outras bichezas)
Tambem ha duas semanas me trouxeram mais um musaranho (Crocidura thomensis). Infelizmente ja estava morto, mas assim ainda ha-de ser mais util para tentar perceber se esta especie e efectivamente distinta das suas congeneres continentais.
E devo andar mesmo cheio de sorte, nao so pelos bicharocos que me estao a trazer, mas tambem pelos que eu encontro (sim, tambem consigo sozinho...). Esta osga (que pertence ao genero Hemidactylus, mas ainda nao tenho a certeza do nome exacto da especie) e outros dos endemismos gigantes de Sao Tome. Nao sei se e muito grande para o genero, mas para o meu conceito de osga ja e bem grande. Maior que um palmo!O ano passado havia uma que, volta nao volta, me entrava pelo quart a dentro, mas (ela que me desculpa) nao era tao gira como esta das fotografias!
Finalmente, tambem ha que reconhecer que as vezes sao os bichos que me encontram. Este milipede engracado, mas muito pequenino, entrou-me pela casa adentro!
Este escaravelho gigantesco veio a voar e pousou-me em cheio na orelha, para o panico de toda a gente que estava a minha volta. Aparentemente morde que se farta e tive que sorte em nao ter sido mordido. De facto mandibulas nao lhe faltam... Tive que convencer a multidao para poupar a pobre criatura e ela la voltou a sua atarefada vida de bicho.
No Obo
E mesmo as especies que ja foram descritas vao pregando as suas partidas. Em Sao Tome sao reconhecidas duas especies de Hyperolius, das quais podem encontrar fotos no blog das expedicoes da CAS. Agora digam-me a qual das duas pertencem estas criaturinhas que eu encontrei a reproduzirem-se numa zona de “floresta primaria” a 400m de altitude? E ja agora tambem a que aparece em monachus.blogspot.com! Eu consigo perceber qual das duas pode ser...
segunda-feira, 12 de abril de 2010
O segundo Kauiri
Ora, ha algumas semanas, enquanto tomava o pequeno-almoco nas traseiras da minha casa, passou por mim um destes animais, localmente conhecidos por aleluia ou kauiri. E depois de quase um ano de ter apanhado um, o espalhar mensagem deu resultado e consegui finalmente deitar mao a outra doninha. Desta vez viva!
O animal foi apanhado numa cozinha na Roca de Monte Cafe. Desconfio que nao estava na melhor condicao fisica e deve ter achado que a tal cozinha seria um bom sitio para apanhar uma comidinha. A verdade e que ate ganhou uns peixinhos de recompensa, para se ir entretendo durante a sua curta estadia em cativeiro.
Amostrar esta criaturinha foi muito emocionante. Primeiro, e como o meu carro continua na oficina (longa, longa historia), tive que ter a ajuda de um motoqueiro para levar para casa o animal e a mega gaiola em que estava. A gaiola era tao grande, que para dar curvas apertadas o motoqueiro nao consegui rodar o volante, e a mota tinha de estar quase parada para a manobra ser feita com a ajuda dos pes no chao. Um verdadeiro exemplo de conducao santomense!
Depois tive que o mudar para uma gaiola mais pequena e anestesia-lo com eter. Foi dificil adormece-lo, mas la consegui e deu para tirar medidas, peso, fotos e ate um pedacinho de orelha para analise genetica!
O pobre exemplar sob o efeito de eter.
E a acordar, ainda um pouco atarantado.
Finalmente o animal la acordou e foi libertado, nao sem antes dar mais uma trinca nos peixinhos...
terça-feira, 6 de abril de 2010
Estar fora, sem sair da ilha....
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Terrivel alianca
Nao sei quem se lembra daquele episodio do Macgyver com as formigas assassinas que atacavam e matavam pessoas (era o meu preferido, ate voltar a ver uns anos depois e pensar que afinal era das maiores estupidezes que ja tinha visto na minha vida). Pois estas nao sao tao letais, mas muito incomodas...Geralmente sente-se a sua picada antes de a ver, porque e minuscula! Entao imaginem o que, nesta clima quente e humido em que uma pessoa ja esta a suar que se farta, quando abanamos um ramo e nos caiem em cima uma multidao de formigas que, enquanto se afogam no nosso suor, se defendem com umas picadas ardentes. Nao e nada bom, acreditem.
Tudo bem, venho-me meter no meio de uma floresta tropical humida e agora estou-me a queixar... Pois bem, o pormenor irritante destas pequenas criaturas e que sao introduzidas. Ora, o dono da roca “Alianca” (dai o nome das formigas) decidiu que estes insectos iam proteger os seus cacaoeiros dos ladroes de cacau e como tal decidiu introduzi-los, sabe-se la de onde. Ja agora, agradece-se a quem as saiba identificar. Sei que a foto nao e muito boa, mas estou curioso!
Nao gosto de desejar mal a ninguem, mas este senhor, com a sua ideia brilhante nao merece que lhe tenham acontecido muitas coisas boas. Ainda para mais porque, imagino, nao devia ser ele que andava nas plantacoes a apanhar cacau...
Terra da fruta e dos frutos
Uma das arvores de fruto mais abundante de Sao Tome e talvez a fruteira, que da fruta-pao, ou simplesmente fruta! Que e muito boa assada com peixe... Atencao aqui pede-se salada de frutos e nao de fruta! De entre tantos frutos tambem se destaca a banana. Existem diversas variedades: ouro, prata, maca, ana, varla, gran michel, pao... E da para comer assada, frita, madura, cozida, seca. Enfim!
E, e claro, o mangustao! O melhor fruto do mundo. Um titulo talvez um bocado exagerado, mas la que e bom que se farta e verdade. E tambem e bem caro, porque so cresce em 2 ou 3 sitios...
E nesta terra tambem ha muito fruto para bicho comer. Para alem dos anteriores, com os quais eles tambem se alambuzam, ainda ha mais uma miriade de frutos do mato: pau-branco, pau-caixao, pau-sangue, gofe, schefflera, obata, mussanda, catas,...
Com isto tudo, da para acreditar que um dos frutos mais apreciados (e bem pagos) sejam peros amarelos importados de Portugal? Eu nunca gostei daqueles peros, por isso e um verdadeiro enigma este fascinio dos santomenses por tal fruto!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Piquenique a santomense
Ora, os piqueniques santomenses sao um fenomeno social com muitos adeptos e que decorrem geralmente em epocas especificas do ano, como no Ano Novo e noutros feriados! E decorrem na praia, embora o banho de mar seja mais para as criancas (os adultos por aqui nao sao grandes apreciadores, apesar do mar quentinho e convidativo). Teem que haver quantidades industriais de comida e bebida e geralmente sao organizadas dentro de uma comunidade ou grupo familiar, o que muitas vezes e praticamemnte sinonimo.
Com pontualidade britanica (ultimamente tenho esta expressao em descredito), as 7h30 de Domingo la estava eu na estrada em frente da Aldeia. Entre ultimos preparativos (ha que ir aperaltado para a praia), o agrupamento, seguido de desagrupamento as custas da tipica chuvada descomunal e a espera pelo transporte acabamos por so sair por volta das 10h. E a viagem ate a praia nao foi breve, nem livre de contratempos. O transporte era uma carrinha tipo Dyna, que ficou completamente sobrelotada de pessoal (talvez 40 pessoas). Houve paragens para tudo: abastecer de combustivel, abastecer de vinho de palma e cerveja, aparafusar o pneu, outras so para ter a certeza que o pneu ainda nao tinha fugido (nao percebo muito de carrinhas, mas suponho que nao e normal ter um pneu do lado esquerdo e dois do lado direito, por isso suponho que o da esquerda ja tivesse fugido). A viagem la se fez, pelas tortuosas e esburacadas estradas santomenses, ainda para mais que tivemos que evitar a capital onde estava a haver uma mega procissao, e chegamos a praia de Morro Peixe mesmo a hora de... comecar a comer! Exacto, os santomenses teem um conceito muito proprio de praia.
Eu la partilhei do espirito e comi uma das deliciosas comidas que a Cecilia levou (Lussua, mmmm), mas nao muito porque estava demasiado calor para nao estar desejoso de me enfiar dentro de agua. Passado algum tempo la me fui enfiar dentro de agua, a procura de peixes com os meus oculos maravilha... Fantastico, adoro andar a snorklar pela praia. Ve-se mesmo montes de bicharada debaixo de agua. Mas desta vez ja aprendi e sai a tempo de nao ficar com as costas tostadas pelo sol.
E para alem da boleia, tambem paguei a minha participacao no piquenique com foto! (Que ainda tenho de ir revelar, ou “lavar” como se diz por ca.
No caminho de volta ainda tive direito a uma surpresa! No caminho de volta de Morro Peixe para Guadalupe, um cacador de Lagaia. Nao fazia ideia que o bicho fosse daquele tamanho. A descricao de uma gineta menos arborea e maior e bastante boa, mas nao deixa antever o tamanho do animal. Ainda por cima este era pequeno para a media! O bicho foi apanhado numa armadilha e estava a ser levado para ser vendido no mercado de Guadalupe pela mae do cacador.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Pico tem andar
E para la chegar tem andar, tem subir e descer e muito escorregar, mas no fim vale bem a pena. Sao uns meros 12km, que se fizeram bem longos e se extenderam por um dia inteiro de caminhada!
Apesar de nao ter tido muita sorte com o tempo, ja deu para perceber que num dia limpo a vista de la de cima tem que ser absolutamente fabulosa. Da para ver a ilha toda!
E, nao contente com o Pico de Sao Tome, ainda desci ate ao Pico Pequeno, para recolhe amostras de Urze (Erica thomensis). Esta planta esta confinada as zona de maiores altitudes de Sao Tome, nao existindo em nenhum outro lugar do mundo e apesar desta distribuicao tao restrita, nao consta da lista vermelha de especies ameacadas. O meu objectivo foi recolher umas amostras para analise genetica, num estudo de revisao da taxonomia do genero Erica, mas com sorte ainda consigo que a lista vermelha reconheca a vulnerabilidade desta especie!
E depois sao “so” mais 12km de volta...
De volta a floresta
Algumas delas vao revelando umas surpresas, como esta lesma com descensor incorporado. Lentamente tecendo um fio viscoso, quando encontrei esta lesma ja tinha descido uns bons 2m da vegetacao em direccao ao solo. Tecnologia de ponta...